Índio sem tribo

Houve já quem me chamasse de índio, quando novo. Hoje assumo, entre aspas, pela minha postura, já que adoro andar descalço e nu pela casa. Adoro sentir o frio do chão e a terra sob os pés.

Me envolvo facilmente na natureza, deixando meus sentidos despertarem. O cheiro da terra, a grama molhada, os sons do restolhar das folhas, sussurrando na mais leve brisa. Adoro andar e sentir a natureza me rodeando, me envolvendo.

Os pássaros chilreando num frenesim intenso.

Adoro andar à chuva e brincar chapinhando como uma criança. Mesmo quando é torrencial.

E a noite...

Meus Deus, como é linda, estrelada, brilhando em milhares de pontos de luz. Fico perdido e deslumbrado, perdendo horas olhando e tentando contá-las.

Desde bebé que sempre tive animais. Respeito a vida que me rodeia e vivo fascinado. Hoje meu companheiro e guia de viagem é Romeu, meu labrador. Tal como ele, adoro o espaço sem limite, sem horizontes fechados. Respiro a liberdade da natureza, a beleza da perfeição.

Às vezes, me sinto um índio sem tribo.

Flamingos em Sá de Bandeira, Angola. Manuel Ribeiro, fotojornalista.